A casa que os professores construíram por solidariedade

A Casa do Professor de Setúbal alberga hoje 45 residentes, todos professores. As instalações estão lotadas, mas no futuro avista-se um esforço para fazer mais, com os mesmos recursos. Nos projectos para o futuro conta-se a instalação na Casa de um auditório para iniciativas culturais e uma piscina para actividades físicas e recreativas.

Alexandre Elias

Alguns projectos têm uma gestação maior do que outros. Com o dinheiro contado, um grupo de professores foi, entre meados da década de 80 e o ano de 2003, construindo a Casa dos Professores de Setúbal, instituição que alberga hoje 45 professores – o mais novo com 53 anos e o mais velho conta mais de 90 – aposentados ou ainda no activo. Durante vinte anos, esta casa foi construída “porta a porta, tijolo a tijolo”, e quem o diz é o presidente da actual direcção da casa, o professor Cosme Teixeira.
“Quem batalhou mais desde o início pela construção desta instituição foi o professor Peres Claro, que sempre foi um homem de ideias grandes”, declara, “Mas todos nós [da actual direcção] estivemos envolvidos neste processo e posso garantir que houve sempre um esforço pessoal muito grande da nossa parte, mesmo para além do apoio inicial da Segurança Social”. O apoio dos poderes públicos passou também pela atribuição inicial do terreno na Avenida António Sérgio, a caminho do actual recinto da Feira de Sant’Iago.
A Casa do Professor, refira-se, está hoje equipada com um ginásio de recuperação, uma capela e uma biblioteca, e destina-se exclusivamente a professores, ficando ainda por concluir um auditório e uma piscina. Segundo o presidente da direcção, a casa não pretende substituir-se ao Estado (“nem é essa a função dos privados”, diz Cosme Teixeira), mas é ainda assim movida por um “espírito de solidariedade”.
“Temos que admitir que a localização não será óptima para uma instituição como a nossa, já que muitos dos nossos residentes têm problemas de acessibilidade. Por exemplo, o edifício do Sindicato dos Professores é em plena baixa de Setúbal, qualquer pessoa no decorrer do seu dia pode lá passar, se assim o entender. O mesmo não se verifica aqui”, constata o professor. Os maiores desafios para o futuro da instituição, ainda assim, não se prendem com a localização nem com a saúde financeira da instituição. Os recentes cortes nas pensões e reformas e a exiguidade do espaço disponível são, segundo a direcção, os motivos de maior preocupação.
“As nossas taxas”, diz o professor Cosme Teixeira, aqui apoiado por Abílio Carrilho, tesoureiro da instituição, “oscilam entre os 1250 e 1500 euros mensais, embora com a garantia de apoio médico duas vezes por semana e fisioterapia todos os dias, mas a redução de 50 por cento nas reformas (e os nossos residentes são quase todos reformados) coloca-nos a incerteza para o futuro não só quanto à nossa capacidade de crescer, mas também quanto ao bem estar dos actuais residentes”. Paradoxalmente, uma portaria datada de 21 de Março vem colocar novas possibilidades de crescimento para a Casa do Professor, embora longe das condições pretendidas pela direcção (ver caixa). O futuro da instituição está, no entanto, assegurado muito para além do décimo aniversário.