
Imprimido em 03-09-2010 0:17:07
O Setubalense
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SECÇÃO: Rubrica
Projecto
Centro de Estudos Bocageanos vai criar Museu Escolar
O Centro de Estudos Bocageanos está a juntar material com o objectivo de criar um museu escolar. Para já, esse mesmo material vai sendo utilizado em exposições que ajudam os mais novos a conhecer os livros e material escolar utilizado nos últimos anos.
Ana Maria Santos
red.asantos@osetubalense.pt
O Centro de Estudos Bocageanos está apostado em criar, em Setúbal, um Museu Escolar onde os mais novos possam aprender como era estudar há uns anos atrás, e onde os mais velhos possam recordar as aulas da sua meninice.
A ideia surgiu há cerca de oito anos com o objectivo de preservar a memória pedagógica do país e, principalmente, da cidade. Assim, nos últimos anos, Daniel Pires, presidente do referido Centro, tem vindo a coligir todo o material possível relacionado com o sector educativo dos últimos anos – desde livros escolares a fotografias de escolas e salas de aula, tabuadas, fardas, lousas, tinteiros, carteiras, penas, aparos, etc. -, desde o século XVIII, a época de Bocage, até aos nossos dias.
Para o futuro Museu Escolar Daniel Pires diz que tem cerca de 30 manuais escolares do século XVIII, cerca de 120 livros do século XIX, mais uma centena do período Republicano e também outros manuais do Estado Novo – os mais fáceis de conseguir uma vez que tinham tiragens muito grandes, para além de atravessarem várias gerações da mesma família -, os quais se vão conseguindo em alfarrabistas de Lisboa e, principalmente, na Feira da Ladra.
Esta colecção que está a ser formada estende-se até ao ano de 1977 de forma a “marcar os dois primeiros anos posteriores ao 25 de Abril” e não se avança mais porque, tal como refere Daniel Pires, o Museu “precisa de distância histórica e temporal”, sendo as tabuadas os manuais mais complexos de encontrar uma vez que a qualidade do papel em que as mesmas eram imprimidas levava à sua rápida degradação. No entanto, a Feira da Ladra continua a ser o local de referência para a procura deste tipo de materiais e onde, por vezes, “tropeçamos em verdadeiras raridades”.
Preservar a memória colectiva, em todos os domínios nomeadamente da pedagogia, é o objectivo principal deste projecto, considerando Daniel Pires “muito importante que os jovens a ela tenham acesso”, porque é “muito importante que nós conheçamos a nossa história para percebermos melhor o presente e prepararmos o futuro.
Entre o material recolhido, o Centro de Estudos Bocageanos conta com diversos manuais publicados em Setúbal, pela tipografia Simões, nomeadamente um livro de Ana de Castro Osório de 1909.
O material até agora conseguido foi adquirido “com bastante esforço uma vez que são raridades e nós vivemos com as quotas de 1,5 euros dos nossos associados”, muito embora a sede onde o Centro de Estudos Bocageanos funciona – na avenida Luísa Todi, frente ao Quartel do 11 – tenham sido cedidas pela autarquia e seja uma mais valia. Desta forma, os cidadãos que queiram participar neste projecto ou que de alguma outra forma possam ajudar a criação do Museu Escolar, podem entrar em contacto com o professor Daniel Pires, através do 966 668 679.
A realização deste projecto, que será de interesse colectivo e, principalmente, uma forma de mostrar aos mais novos como foi o início da nossa vida estudantil, será uma novidade quer a nível local, quer mesmo a nível nacional.
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