História

O SETUBALENSE Um jornal com muita história!

O jornal «O Setubalense» foi o primeiro jornal que se editou na cidade de Setúbal e um dos mais antigos do país. A sua circulação é muito anterior à dos grandes diários de Lisboa, como o «Diário de Noticias» e o extinto «O Século». Apesar dos reveses porque passou ao longo dos tempos, a maior parte das vezes impostos por motivos políticos, é interessante constatar que mesmo assim a filosofia do seu fundador raramente foi abandonada. Logo desde o primeiro número publicado a 1 de Julho de 1855, este jornal se impunha como uma voz de vanguarda e progresso e, sendo um órgão de informação regional, as suas características não eram só as de um jornal regional. Era maior o alcance do seu fundador porque representava um progressismo moderado.

O seu fundador, João Carlos de Almeida Carvalho, nasceu no dia 5 de Março de 1817 no número 224 da Avenida Luísa Todi, ao tempo, Rua da Praia. Era filho de Ana Rita de Almeida e de António Coelho de Carvalho. Fez estudos de advogado e tinha Cartório aberto em Setúbal. Desde novo empenhado nas lutas políticas do Partido Regenerador, do qual era militante, resolveu fundar um periódico informativo para defender os interesses de Setúbal e das suas gentes. Para isso comprou uma tipografia que se situava na antiga Rua do Buraco d’Água, n.º 7, onde o jornal foi impresso até terminar a sua primeira fase, com o número 131, no dia 27 de Dezembro de 1857. Durante todo esse tempo, João Carlos de Almeida Carvalho, foi o seu redactor principal, contando com a colaboração de três grandes nomes da vida local: António Rodrigues Manito, José Sérgio de Capeto Barradas e José Groot Pombo.

Em 1916, apareciam em Setúbal três jornais: o jornal satírico «O Chapéu Sadino», o semanário «A Propaganda» e «O Correio Sadino» que pretendia ser semanário, noticioso e literário. Nesta época, surge novamente «O Setubalense» para viver a sua segunda fase, mas pouco se alterariam as suas características nascidas em 1855. Bissemanário de quatro páginas, no formato 31×25, continuava a reclamar-se, independente e defensor dos interesses locais. Era seu redactor principal João Regala e Guilherme Faria seu administrador. O primeiro número desta fase vem a público a 10 de Agosto desse ano e o número 11, já traz como director Luís Faria Trindade, que imprimiu uma nova dinâmica ao jornal que se tornaria um amplo espaço de debate de ideias. A partir de 10 de Junho de 1918, o jornal passa a diário da noite e esse é o seu novo subtítulo: «Setubalense – Folha da Noite», passando a trissemanário.

Com a revolução de Maio de 1926 e com a grande contestação republicana em Setúbal e a perseguição feita aos democratas da cidade bem como a suspensão da actividade do Parlamento e as revoltas no Porto e Lisboa, contra a ditadura militar, deram uma nova vida ao jornal. O ano de 1927 seria o ano de recrudescimento da luta empenhada pelos partidários da República contra o Estado Novo e a 5 de Fevereiro desse ano, dois dias antes da Revolta de 7 de Fevereiro, «O Setubalense» deixa, de novo, de se publicar por imposição da ditadura. Esta repress ão fica a dever-se à luta desenvolvida pelos adeptos da ditadura, contra os democratas, que faziam parte deste jornal silenciando, assim, a única voz verdadeiramente livre que existia em Setúbal. Seis meses depois dos acontecimentos de 7 de Fevereiro, volta a publicar-se «O Setubalense», com o subtítulo «Diário Republicano da Noite». Em 1938, no dia 27 de Outubro, tendo como editor Domingos Tavares Roque, o numero 8080 deixa de trazer no cabeçalho a palavra republicano. Muita coisa tinha mudado no espírito do jornal.

Em 1944, a 13 de Julho é «Diário de Informação da Noite» para, no mesmo ano e a partir de 1 de Novembro, se designar, «O Setubalense – Informação do Sul», o editor continua a ser Domingos Roque e é, então, seu director e proprietário, Dinis Bordalo Pinheiro. Em 1945, e para festejar a vitória dos aliados, passa a ter como título «Vitória – Setubalense». A 29 de Outubro, do mesmo ano, denomina-se, simplesmente, «Vitória». Nesta altura tem como seu director, Domingos Mascarenhas. Em 2 de Janeiro de 1946, conhece uma nova fase, reaparece como órgão informativo e defensor dos interesses do distrito, é trissemanal e tem como editor e director, respectivamente, Domingos Roque e Bordalo Pinheiro. Publica-se, então, às segundas, quartas e sábados.

«O Setubalense» tem sido, ao longo destes mais de 150 anos, a voz da cidade. Passou por varias fases, como a vida do país e da cidade. Esteve, alternadamente, em várias barricadas. Terá sido, talvez, conforme os tempos e os homens que nele escreviam, sucessivamente monárquico, republicano, oposicionista, situacionista, etc. Foi semanário, diário, trissemanário e, quando chegou a altura, também teve os seus momentos de loucura revolucionária. Mas, ao longo da sua centenária vida, «O Setubalense» não terá sido sempre o mesmo jornal, mas houve um princípio que defendeu sempre e fez dele a sua constante bandeira: defender os interesses da cidade e os interesses da região de Setúbal.

Hoje como ontem, O SETUBALENSE continua a ser líder!

Em 2005, ano em que O SETUBALENSE comemorou 150 anos, o estudo sobre a imprensa regional feito pela Marktest, mostrou que O SETUBALENSE ainda é o titulo mais lido no distrito de Setúbal com uma audiência de 4,9% o que para um universo de 700.000 habitantes significa uma audiência de 32.785 leitores, facilmente atingível com uma média de 5 a 6 leitores por exemplar já que a tiragem estabilizou nos 6.300 exemplares. O mesmo estudo também referia que 51,2% dos leitores de são do sexo masculino e 48,8% do sexo feminino; 14,5% têm entre 15 e 24 anos, 16,3 % têm entre 25 e 34 anos, 22,9% têm entre 35 e 44 anos, 22,1% têm entre 45 e 54 anos e 24,3% têm mais de 55 anos. Estes dados mostram uma audiência bastante diversificada. Destaque ainda para 25,8% dos leitores serem trabalhadores qualificados e 12,3% serem Quadros médios e superiores.