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Arquivo: Edição de 09-07-2008

SECÇÃO: Cartas ao Director


Cartas ao Director

Saber nadar é tão importante, como saber andar

Este tem sido o lema, que há cera de 60 anos, que ando a pôr gente a nadar, que já conto algumas largas centenas, dos 3 aos setenta e tal anos.

Isto vem a propósito do “Recordar é Viver”, que ao fim de alguns anos, resolvi aos serões, ir ao baú das memórias e retirar das gavetas, as fotografias do passado, principalmente da carolice humana, da aprendizagem e da escola de natação da Secção Regional de Setúbal do S.B.S.I. , com o fim de catalogar as fotos num álbum, para ficar a perpetuar no meu arquivo, e de que já estão colocadas cerca de quatro centenas, faltando ainda mais, para serem classificadas e colocadas no referido álbum.

Sucede que algumas fotos, deixaram-me perplexo e que me trouxeram à memória alguns salvamentos complicados, que me marcaram muito na minha vida e que os tenho guardado quase em silêncio e chegou a hora de os divulgar, perante as referidas fotos.

Tive um casal amigo de Vendas Novas, que os conheci nas praias de Setúbal, com 2 filhos, que os ensinei a nadar, nas mesmas praias. Sucede que o mais velho e por coincidência com o meu nome, então a tragedia aconteceu, um dia que nadávamos ao largo na Figueirinha e, de repente ele deu-lhe uma dor foi ao fundo, trouxe para terra inanimado e na praia recuperou os sentidos e felizmente voltou à normalidade. Entretanto vai para Angola em serviço militar e nas vésperas de regressar à metrópole, o helicóptero que pilotava, foi bombardeado e ele foi o único a falecer. Tem em Vendas Novas, sua terra natal, o seu nome numa rua Cap. Aviador Custódio Ribeiro Santana. Não morreu no mar e foi morrer no ar, enfim foi o destino, que nunca mais poderei esquecer este triste quadro.

Com frequência ia depois das 18 horas para a Figueirinha, ensinar no lado esquerdo do pontão, que os alunos baptizaram esse local a “piscina”. Não é que num dia por volta das 20 / 21 horas, estava com um adulto o Manuel Vilhena, meu colega da C.J.D. a pô-lo fora de pé e entretanto, ouço uns gritos de grande aflição, era então uma criança que andava fora de pé num colchão e só a vi já a afundar, perante esta situação deixei o adulto sozinho e vou a nadar em socorro da criança, que a salvei. O adulto teve a calma suficiente de ir a nadar até ao pontão, que era o que estava mais próximo. Felizmente que tudo correu bem, Deus esteve connosco. Agora vamos analisar esta tragédia, pela parte negativa. Deu para salvar a criança, podia deixar morrer o adulto e dentro desta situação, qual seria a minha responsabilidade, pela morte, pelo menos moralmente, ficaria traumatizado, para toda a minha vida, que ainda hoje, não posso esquecer tal cena.

Uma senhora depois de saber nadar, foi comigo, para o largo na Figueirinha, tudo bem, mas a páginas tantas, lembrou-se que estava fora de pé, descontrolou-se e de repente agarrou-se ao meu pescoço, deixando-me inactivo e para não complicar mais a situação e não assustar o marido que estava a presenciar o caso na praia, tentei com grande esforço, trazê-la até encontrar pé, sem a molestar, enfim foi mais uma vida salva e com missão cumprida.

De tantos salvamentos só quero cit6ar mais um na piscina do Oleandro, em Albufeira (Algarve), da Maria José de 4 / 6 anos de V.N. Famalicão. Andava nessa piscina, com vários amigos do norte, que os conheci em férias no Algarve. A maioria não sabia nadar e eu lá ia com todos para a referida piscina. Um dia a Maria José que andava com uma bóia e de repente, na parte mais funda, soltou-se da bóia, e ao pé do pai, mas ele boiava e mal e não foi capaz de a salvar. Eu que estava desviado com outros, ouço os gritos dentro e fora da piscina e vejo a bóia sem a criança, lancei-me e fui buscá-la ao fundo. Foi mais um salvamento que Deus esteve ao nosso lado.

Hoje salvo erro a Maria José é médica, que nunca mais me esqueceram desse milagre.

Enfim aqui deixo um pouco do muito que tem sido as minhas lutas, por amor ao próximo, o que hoje já vai rareando estas e outras carolices, que estão em extinção, por falta de apoio e não só…, mas Deus é grande…

Custódio Pinto

Tempo de leitura: 4 m
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Comentários dos nossos leitores
~iintoangelopinto@live.com.pt
Gostei: Muito Concordo: Sem Opiniao ...
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O Custódio Pinto continuará a interessar-se por tudo o k é a cidade de Setúbal e não pensem k aprender a nadar não faz parte da cultura geral ... k até pode salvar vidas !...
 

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