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Arquivo: Edição de 05-02-2010

SECÇÃO: Opinião


FAZER A CIDADE

O Fórum

Brissos Lino

O Fórum Municipal Luísa Todi comporta em si vocação para vir a tornar-se, num futuro próximo, a grande sala de espectáculos de Setúbal.

Desde os tempos do Teatro Rainha D. Amélia, de finais do século XIX, passando pelo Cine-teatro Luísa Todi, adquirido pelo município em 1990, esta sala tem condições físicas, de localização, acessos e história para se constituir como interessante hall cultural da cidade.

Concluída a presente reconstrução, só depois se poderá avaliar se esta opção terá sido a melhor. Estou em crer que sim, ao contrário do hospital, que deveria ter sido construído de raiz, em vez de ampliado, por uma série de razões que já em tempos tive oportunidade de expor.

A fórmula encontrada para desencadear o processo da reconstrução – Liga dos Amigos do Fórum –, dando espaço, voz e responsabilidade às forças vivas da cidade e desafiando os mecenas, também parece adequada, tendo em vista a força de que a cultura e o associativismo dispõem neste concelho.

Segundo declarações recentes da presidente da Liga, a este jornal, está já assegurado o financiamento do resto da obra e não se prevêem novas dificuldades técnicas, inesperadas, do tipo das que atrasaram o processo, de modo que se admite a possibilidade de o próximo Festróia poder vir a decorrer já na renovada sala.

Há muito que escrevo que Setúbal necessita de algumas infra-estruturas que não tem (ou não estão em condições) para se voltar a afirmar como cidade relevante. Esta é uma delas.

Segundo o projecto apresentado a público, além do auditório principal, destinado a espectáculos com maiores exigências, em breve será possível realizar no mesmo edifício eventos de reduzida dimensão, e a cidade ganha um espaço nobre para exposições de arte. Ou seja, procurou-se – e muito bem – maximizar e potenciar um espaço de eleição.

Mas fica aqui uma nota de prevenção para o futuro. Mantenha-se este espaço devidamente cuidado e preservado, com alguma dignidade. Não quero significar, com isto, a defesa de uma cultura elitista, mas defenda-se minimamente o bom gosto.

A cantora Luísa Todi, ilustre setubalense e madrinha desta casa, merece-o.

Tempo de leitura: 2 m
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