Arquivo: Edição de 20-02-2008
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SECÇÃO: Cidade |
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Utente obrigado a usar casa de banho das senhoras para fazer exame à urinaO Serviço de Atendimento Permanente do Centro de Saúde de S. Sebastião tem a casa de banho dos homens avariada há um mês. Os senhores são obrigados a deslocarem aos lavabos das mulheres quando têm necessidade de efectuar exame à urina. Um doente que se deslocou ao Serviço de Atendimento Permanente do Centro de Saúde de S. Sebastião, em Vale do Cobro, há três semanas, deparou-se com uma situação insólita e no mínimo caricata. Segundo o utente, em declarações a «O Setubalense», quando chegou ao centro ao fim da tarde, marcou a consulta de urgência e aguardou na sala de espera, cheia como é habitual, pela respectiva chamada do médico para ser atendido o mais breve possível. Na consulta, foi indicado para fazer o exame à urina e foi aí que começou uma verdadeira aventura, digna de um país de terceiro-mundo. A médica deu ao utente um copo de plástico bem grande (igual aos dos cafés e bares para servir a imperial), para fazer para ali a urina. Foi explicado que teria de sair do consultório e utilizar a casa de banho da sala de espera. Ora, quando ia para entrar nos lavabos dos homens, deparou com a porta fechada e sem indicação nenhuma de que estaria avariada. A solução foi entrar na casa de banho das senhoras para efectuar a respectiva urina para análise. Feita, lá foi o doente, com o copinho na mão, à vista de toda a gente para a enfermaria. Outro caso caricato sucedeu. O doente foi entregar o copo à enfermeira que lhe disse expressamente para não largar o mesmo (até parece que estava a lidar com um leproso) e colocou a dita “fitinha” para o exame. Depois, mandou despejar o copo com urina, novamente na casa de banho junto às consultas. O utente alertou a mesma de que os lavabos dos homens estava fechado mas a enfermeira não deu qualquer solução e obrigou-o a voltar. Mesmo, perante os protestos, não aceitou que se utilizasse a casa de banho interna (dos funcionários), que bastava puxar o autoclismo. Perante este quadro, o doente apresentou, no dia seguinte uma reclamação no Centro de Saúde. Nova surpresa, a direcção do centro não sabia que a casa de banho dos homens estava avariada e estranhou o comportamento da enfermeira. Na reclamação, é referido que “tal situação é humilhante” e considera que “foi humilhado publicamente e violado o direito de sigilo do doente”. Refere-se ainda que “não foi informado de qualquer alternativa” e que “para tal não aconteça com outra pessoa alertou as entidades”. Além disso, exige que “sejam apuradas responsabilidades civis junto das entidades competentes”. Para espanto do utente, quando precisou de utilizar o Serviço de Atendimento Permanente, na passada quarta-feira, deparou-se exactamente com o mesmo cenário. A casa de banho estava fechada e sem qualquer indicação. Segundo nos disse o mesmo, perguntou à funcionária o que se passava e teve como resposta de que não há dinheiro para fazer as obras. E assim vai a saúde em Portugal.
Florindo Cardoso
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