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Arquivo: Edição de 24-11-2008

SECÇÃO: Destaque


Crise na Autoeuropa

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Trabalhadores temporários dispensados por um mês sem salário

De acordo com a comissão de trabalhadores, cerca de 200 funcionários temporários da Autoeuropa, receberam cartas da administração a dar conhecimento de que vão ser dispensados durante um mês, sem direito a salário.

Mais de 200 trabalhadores da Autoeuropa contratados a agências de trabalho temporário vão deixar de trabalhar durante um mês, sem direito a salário, porque não estão abrangidos pelo acordo de empresa de 2003, revelou António Chora, da comissão de trabalhadores.

Os trabalhadores “já receberam uma carta a dizer que vão ser dispensados em metade do mês de Dezembro e metade do mês de Janeiro de 2009, sem receber salário, o que é preocupante numa altura natalícia”, revelou o coordenador da comissão de trabalhadores da Autoeuropa, em declarações à Lusa.

No entanto, a administração da Autoeuropa rectifica que vai prescindir de 145 trabalhadores das agências de trabalho temporário e não de 200, como referiu António Chora.

O coordenador da comissão de trabalhadores acredita que em 2009, apesar das dificuldades, não haverá problemas de maior para os trabalhadores efectivos, uma vez que o acordo de empresa celebrado em 2003, já previa a possibilidade de paragens laborais em função das condições do mercado.

“Estamos a aguardar as decisões da direcção mundial da Volkswagen sobre o que vai ser o próximo ano, mas, em relação aos trabalhadores efectivos não temos nenhuma preocupação de maior”, disse António Chora.

Preocupado com a situação dos trabalhadores de outras empresas instaladas no Parque Industrial da Autoeuropa, o representante dos trabalhadores adiantou “mandámos um fax ao senhor Ministro da Economia para sermos recebidos, juntamente com as comissões de trabalhadores do parque industrial da Autoeuropa e da Renault, em Cacia (Aveiro), para sermos ouvidos sobre a situação, tal como foram os empresários”, acrescentou.

“Gostaríamos de fazer sentir a nossa preocupação em relação às propostas que estão a ser feitas por alguns empresários, nomeadamente as questões relacionadas com a suspensão dos pagamentos para a segurança social. Pensamos que isso é descapitalizar a Segurança Social”, acrescentou o responsável.

As questões do “aceleramento do lay-off, sem prévia negociação e sem melhoria das condições dos trabalhadores” e a posição de muitos empresários do sector, “que pedem subsídios por tudo e por nada”, são outras questões que os representantes dos trabalhadores querem discutir com o ministro da Economia, Manuel Pinho.

“Pensamos que os subsídios devem ser atribuídos para formação e para manter empregos e não para a ajudar a aniquilá-los”, concluiu António Chora.

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