Arquivo: Edição de 15-05-2009
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SECÇÃO: Geral |
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António dos Santos lança novo livro de memórias“Para Lá dos Portões do Asilo”, é o título do terceiro volume da obra de António dos Santos, a ser lançada na tarde do próximo domingo, por ocasião do 90.º aniversário do Orfanato Municipal de Setúbal.
Teodoro João red.teodoro@osetubalense.pt
É o terceiro e, muito provavelmente, o último livro de António dos Santos, um antigo aluno do Orfanato Municipal ‘Sidónio Pais’, e que fala desta instituição como se de uma autêntica família se tratasse. O antigo Orfanato municipal funcionou em plena avenida Luísa Todi até 1968. Completa este domingo o seu 90.º aniversário de fundação. Para assinalar a efeméride, os ex-alunos vão, pelas 9 horas, aos cemitérios da cidade depôr flores nas campas dos directores, benfeitores e ex-alunos. Seguidamente, confraternizam num almoço-convívio e, pelas 16 horas, acontecerá a cerimónia de lançamento do livro “Para lá dos Portões do Asilo.” Depois de “O Achamento de Meu Pai” (2005) e de “A Cidade dos Rapazes Pobres” (2007), António dos Santos lança, na tarde deste domingo, no centro de convívio dos ex-alunos do Orfanato, sita na Rua João Soveral (Fonte Nova), ainda e sempre coincidente com a data de aniversário daquela marcante e extinta instituição social, mais uma obra literária de memórias, esta intitulada “Para Lá dos Portões do Asilo”. A «O Setubalense», este antigo aluno do Orfanato, explicou que, com este terceiro livro pensa fechar um ciclo. “No primeiro, relato a minha entrada no orfanato, o que lá passei, vivi e aprendi. No segundo livro, falo das vivências pessoais, das profissões que lá se aprenderam e, neste último, falo da dolorosa hora de todos saírem daquela grande instituição aos 18 anos de idade, com uma profissão aprendida e uma mala de cartão.” Abandonado em bebé, António dos Santos entrou no Orfanato aos 7 anos, proveniente do Asilo da Infância Desvalida (actual edifício das Irmãs de Calcutá), onde esteve durante 6 anos. “Foi no Orfanato que me criei, aprendi a ler e exercer uma profissão (tipógrafo), enfim, foi aquela instituição que me fez homem”, relata visivelmente agradecido, António dos Santos, de 68 anos de idade, saído do Orfanato há precisamente meio século. E saiu, como todos os outros rapazes, aptos a desempenhar uma profissão e com uma mala de cartão. O que era? Eis a explicação na primeira pessoa: “Essa mala de cartão continha um enxoval composto por dois pares de meias, duas cuecas, dois fatos-macaco, duas camisas, dois lenços, um cinto, um chapéu-de-chuva e um fato domingueiro. E uma caderneta, da Caixa Geral de Depósitos, com um crédito de 300$00 (1,5 euros na actual moeda), oferecido pela Câmara.” O autor de mais este livro de memórias sobre o antigo Orfanato, obra a ser lançada este domingo por ocasião do 90.º aniversário da fundação daquela instituição de acolhimento a rapazes pobres e desprovidos de família, fala do Orfanato como uma grande “escola de vida.” “Das centenas de rapazes que de lá saíram não conheço nenhum que se tenha perdido na vida”, atira o antigo n.º 69 daquela antiga e extinta instituição, para quem os relatos de experiência pessoal e colectiva, transcritos nestes seus livros, pretendem “dar a conhecer às actuais e futuras gerações a real importância do Orfanato municipal.” |
