Arquivo: Edição de 21-08-2009
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SECÇÃO: Cidade |
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Pescadores e desportistas manifestam-se no Portinho da ArrábidaTrês anos depois, pescadores profissionais e desportistas náuticos de recreio voltam a demonstrar o seu descontentamento em relação ao Plano de Ordenamento do Parque Natural da Arrábida (POPNA). A partir das 10 horas, os manifestantes vão deslocar-se em desfile náutico, a partir de Sesimbra e Setúbal até à Arrábida. Lídia Isabel Nicolau
“Ninguém está contra o Parque Marinho Luís Saldanha, estamos é contra o regulamento”, diz João Cerqueira, do Clube Náutico da Arrábida. O que está em causa é o POPNA, aprovado a 23 de Agosto de 2005. Um dos principais pontos a que João Cerqueira se opõe é às zonas de protecção total, onde não é possível navegar, fundear nem tomar banho. Em Agosto de 2006, um ano depois do POPNA ter sido aprovado, uma manifestação em forma de desfile náutico reuniu cerca de 300 embarcações de Setúbal e Sesimbra, segundo declarações de Lino Correia na altura. Em resultado, em 2007, 10 bóias foram colocadas no Portinho e 12 em Sesimbra. Experiência que resultou, segundo Lino Correia, presidente do Clube Naval de Sesimbra. Em 2005, ficou definido que a partir desse ano, a cada 23 de Agosto novas restrições iriam ser aplicadas. Este ano as zonas de protecção parcial passam, segundo João Cerqueira, a ser de protecção total. Uma das principais reivindicações é a colocação de mais bóias como as que foram colocadas. Lino Correia diz que mais trinta bóias deveriam ser colocadas. “O plano tem que ter em conta as actividades náuticas e a pesca”, defende o presidente do Clube Naval de Sesimbra. Lamenta, também, que em quatro anos nunca tenha sido apresentado um estudo. Ponto de vista partilhado por João Cerqueira. “Sempre foi dito que o POPNA seria revisto, e nós, subscritores, queremos participar activamente na revisão do Plano”, refere. O membro do Clube Náutico da Arrábida acusa os responsáveis pelo Plano de serem um “bocadinhos surdos” e reforça que “nós não estamos contra o ambiente, todos adoramos a Arrábida, mas diversas actividades podem coexistir.” Numa antecipação do que está programado para amanhã, João Cerqueira diz que está convicto que este ano vão estar cerca de 100 barcos presentes. O motivo? “As pessoas têm medo de ser multadas, como aconteceu há três anos na manifestação”. Por outro lado, Lino Correia conta que no domingo viu cerca de dez multas serem aplicadas em Sesimbra. Segundo o presidente do Clube de Sesimbra, as limitações das zonas não estão bem delimitadas e “facilmente se comete uma infracção.” A Polícia Marítima tem tido uma acção muito forte e “aproveita para multar pessoas todos os dias”, garante Lino Correia. As bóias são consideradas pelo Instituto da Conservação da Natureza (ICN) de “educação ambiental”, ou seja, não têm impacto ambiental. Para Lino Correia, a solução face à restrição das zonas de protecção é simples: aumentar o número de bóias, garantindo que se trata apenas de “teimosia do Governo”. Também o presidente da associação de Sesimbra defende que “o regulamento tem de ser revisto, que a questão das bóias é exequível e resolve muitas questões”. As embarcações podem ser amarradas a estas bóias e não é necessário fundear, ou seja, tocar no fundo nas áreas de protecção para ancorar a embarcação. O Clube Náutico da Arrábida, o Clube Setubalense, o Clube Naval de Sesimbra, várias federações desportivas, associações da pesca profissional de Setúbal e Sesimbra, agentes e empresas do sector náutico e alguns utentes da náutica de recreio são algumas das entidades que se reúnem amanhã em protesto. |
