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Arquivo: Edição de 06-11-2009

SECÇÃO: Opinião


FAZER A CIDADE

Fazer muitas omoletas com poucos ovos

Brissos Lino

Os seis anos da história de vida da Universidade Sénior de Setúbal (UNISETI) são testemunha de como é possível erguer projectos de vocação social sem apoios oficiais ou no âmbito do comodato.

Com efeito, esta instituição ousou vingar, apesar das imensas dificuldades sentidas nos primeiros anos, e tornar-se rapidamente uma resposta social que a cidade reclamava, à semelhança do que tem vindo a suceder por esse país fora.

É tempo de o governo central colocar os olhos neste movimento das universidades da terceira idade (UTI’s), que já são cerca de 120, no Continente e Ilhas, estando agora a nascer instituições do género também entre as comunidades portuguesas no estrangeiro. Já tentámos sensibilizar deputados e membros de partidos políticos para esta nova realidade, mas por enquanto prevalece a inércia do costume.

É fundamental que o governo da república encontre formas de apoiar este trabalho, tão importante do ponto de vista social e cultural, da valorização e dignificação da pessoa idosa, e que desempenha uma função relevantíssima em termos de saúde pública. Mas que seja capaz de resistir à tentação de estragar o bom que está feito, através de regulamentações autistas e desenquadradas da realidade, com base em formulações teóricas de quem só conhece o país e as instituições sentado atrás de uma secretária, como vai sendo hábito.

Mas é necessário ir mais longe. Desenvolver uma nova filosofia social que encare os seniores não mais como um peso morto, como até aqui, mas como um activo social de valor, quer pelo vivido, quer pelas competências pessoais e profissionais específicas de que dispõem e que uma sociedade avisada e sensata não pode deitar pela borda fora, sob pena de se condenar a si mesma à insignificância e ao insucesso.

Durante estes seis anos a UNISETI tem cumprido um papel fundamental na sociedade setubalense, e vai continuar a desempenhá-lo. Continua a dispor de um potencial de crescimento muito grande, e vai continuar a crescer.

Preza muito a sua autonomia dos poderes políticos, religiosos ou sociais de qualquer ordem, e vai continuar assim, a assumir-se como casa comum de todos os que vierem por bem, independentemente dos seus enquadramentos particulares.

Por isso me orgulho de ser seu reitor.

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