Arquivo: Edição de 23-11-2009
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SECÇÃO: Destaque |
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Agricultores transmitiram queixas e garantem que situação actual é caóticaCerca de meia centena de produtores de arroz saíram ontem de Alcácer do Sal, numa marcha lenta com destino ao Governo Civil de Setúbal para protestarem contra a actual situação da agricultura no país. Preços mais justos à produção e revogação da nova lei do arrendamento rural foram as principais reivindicações feitas, em reunião, ao Governador Civil que garantiu transmitir as queixas ao Ministério da Agricultura, indicando ainda que está a ser elaborado um plano governamental para ajudar os agricultores. Vera Gomes
“O Governador Civil prometeu fazer chegar ao ministro da Agricultura as nossas reclamações”, revelou um dos dirigentes da CNA - Confederação Nacional de Agricultores aos cerca de cinquenta produtores de arroz presentes frente ao Governo Civil. O dirigente nacional indicou que o Governador Civil, durante a reunião, referiu que “o ministro está a elaborar um plano para 2010, para ajudar a agricultura portuguesa. Espero bem que assim seja e que implemente algumas medidas de apoio à agricultura e à agricultura familiar”, manifestou. Encima da mesa está “a exigência de revogar imediatamente o decreto-lei, que saiu no dia 13 de Outubro, sobre a lei do arrendamento rural”, transmitiu Avelino Antunes da Associação de Agricultores do Distrito de Setúbal. Os agricultores reivindicaram ainda “medidas claras para que o preço seja um preço justo à produção do arroz”, tendo ainda “chamado a atenção para proposta da União Europeia que veio dizer que todas as zonas desfavorecidas no distrito de Setúbal deixam de o ser, com todos os problemas económico-sociais que enfrentamos”, explicou Avelino Antunes. “Manifestámos o nosso desacordo com a política de se pagar para não produzir, porque paga-se para não produzir e depois não dão apoios para os que precisam de produzir”, apontou o dirigente da CNA. Para o agricultor, torna-se “impossível, com a actual situação, a agricultura continuar a produzir”, isto porque, “temos os custos da segurança social caríssimos e temos o gasóleo mais caro da Europa (…) tudo isso e não temos os apoios que os outros têm”, alertou. Por outro lado, afirmou o dirigente, “cada vez se importam mais produtos agrícolas para Portugal e cada vez se produz menos. A agricultura tem que ser factor de desenvolvimento e de criação de postos de trabalho”. “O governo tem que mostrar provas concretas de que vamos mudar”, porque “não haverá país se não houver agricultura”, concluiu. Ideia complementada por Avelino Antunes que espera que o Governo “intervenha imediatamente!”. “Caso contrário, vamos responsabilizá-lo pela situação no mundo rural”, acrescentou. O assessor da direcção da AADS classificou a situação dos agricultores no distrito como “caótica”, indicando que, “infelizmente tem tendência para piorar”. “Ou de facto há uma tomada de posição, com medidas claras para contrariar tudo isto ou a situação vai-se agravar de forma drástica”, declarou. “Vamos embora com a esperança de que não tenhamos de cá voltar”, advertiu Avelino Antunes, prometendo que “da nossa parte não baixamos os braços!”. |
