Arquivo: Edição de 30-11-2009
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SECÇÃO: Desporto |
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O rol das insuficiências…Jogo a jogo se clarifica a ideia de que o Vitória precisa de reforçar o seu plantel, estrategicamente, como de pão para a boca. Se no plano defensivo o panorama, apesar de alguns erros individuais comprometedores que por vezes surgem, nos parece ter melhorado nas últimas rondas, no que toca à criação e transposição das acções do meio campo para a frente, a porca torce o rabo. A equipa ressente-se de falta de velocidade e de coordenação no pensamento das jogadas e fica muito entregue aos improvisos individuais que raramente surgem. Competitivamente, como se tem vindo a verificar, o actual cenário vitoriano é insuficiente para garantir a tranquilidade da época e não há imaginação táctica que resista.
Vamos começar o comentário pelo fim, se quiserem, plasmando a última expressão da «entrada»: Competitivamente, o actual cenário do Vitória é insuficiente para garantir a conquista do objectivo primordial para a temporada que é a manutenção na I Liga ou, no melhor dos casos, será muito difícil que seja capaz de o conseguir, a não ser que seja puxado pelas orelhas, ao pontinho ou ao golito. A partir do jogo com o Leixões, há já algum tempo atrás, que correu muito bem e abriu, como agora se diz, uma janela de oportunidade para a equipa, com Manuel Fernandes a estrear-se da melhor forma, que o Vitória tem vindo paulatinamente a «regressar» a média inicial em termos de exibições, lançada nos tempos de um senhor treinador que apareceu no Bonfim com ares de «revolucionário» e que obteve licença para criar uns cenários de mudanças radicais que levaram a que tudo fosse feito, ou desfeito, com pouco nexo. Esta «média», diga-se, para fazer justiça a quem a merece, foi de alguma forma invertida com o «consulado» breve de Quim no comando e depois passou a ser remediada com o trabalho de Manuel Fernandes que, à excepção do jogo já referido, ainda não conseguiu ir além da redução de prejuízos e já disse, com razão, que o actual quadro precisa de ser reforçado com jogadores «prontos» e capazes de entrar rapidamente num plano de mais agressividade competitiva e mais argúcia na resolução dos problemas. Mais «batidos», pois… O jogo de ontem, com a Académica, voltou a ser a prova irrefutável da justeza destas observações: não há criatividade de ordem táctica que resista à falta de soluções técnicas na criação do jogo e, acima de tudo, à insuficiência de argumentos de ordem técnica para aproveitar da melhor forma as poucas situações de finalização que a equipa, a maior parte das vezes, mediante acções rápidas construídas por um outro elemento mais criativo, logra criar. Ontem, o futebol vitoriano foi claramente tíbio, e ainda que na primeira parte, mercê de um ou outro entendimento entre Barbosa e Álvaro Fernandez, tenha logrado uma reserva de esperança no jogo, a verdade é que depois de ter estado em desvantagem, e mesmo com o desconto de um julgamento de arbitragem duvidoso, os vitorianos nunca se conseguiram ligar colectivamente e encontrar soluções para igualar as várias acções de jogo com a Académica que, saliente-se, não teve dificuldades de maior em controlar o jogo a todo o campo e impor os seus ritmos, com um trabalho inteligente, sem que para isso tivesse de fazer uma super-exibição. A lentidão do meio campo sadino, esforçado mas a «gasóleo» e sem grande inspiração, foi a razão primeira das dificuldades de progressão da equipa para o ataque, mas outras houve e entre as quais não são de somenos os frequentes problemas de execução técnica, um dos quais, no caso, originou o lance do segundo golo dos homens de Coimbra, uma situação que já não se usa e que pôs igualmente em risco a continuidade de Zoro em campo porque o «vermelho» esteve por um triz. Muitas vezes temos dito que o Vitória precisa de encontrar um novo ponto de equilíbrio; carece de mais experiência em zonas fulcrais (Keita, por exemplo, e Djikiné têm vários momentos de ingenuidade) mas igualmente de uma outra capacidade para desembrulhar situações de área que têm em si o selo de perigo e que depois acabam por se desmanchar como se nada se tivesse passado.
DÚVIDAS NÃO EXPLICAM TUDO: A partida de ontem teve dois aspectos de arbitragem que nos causaram muitas dúvidas mas que, em boa mente, nunca seriam capazes de justificar a derrota do Vitória: falamos do lance anulado a Fernandez por um fora de jogo puxado pelos cabelos e igualmente do esforço de imaginação que André Gralha teve de fazer para justificar a clara intenção de João Ribeiro em provocar a presumível falta de Collin no lance da grande penalidade. Foram momentos que poderiam, em tese, trazer outras cores ao resultado, e Gralha deixou-nos de pé atrás…
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