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Arquivo: Edição de 08-02-2010

SECÇÃO: Desporto


Manuel Fernandes estudou a lição a rigor

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Raposa «encaixotou» o mestre da táctica…

Um jogo de emoções fortes, com dois auto-golos, um golo mal invalidado ao Vitória, um «penalty» falhado ao fecho do pano, ou então até mesmo a noite em que um David humilde, mas inteligente e de atitude, «domesticou» o badalado papão Golias.

O futebol só ganha com o que se viu no interessante, emotivo e competitivo jogo de sábado à noite no Bonfim. Um jogo que teve de tudo: auto-golos, oportunidades, lances bem e mal ajuizados pelo árbitro, e um desfecho dramático, para gáudio sadino e desconsolo encarnado, mas, diga-se, para justiça do desfecho final e do que passou e viveu ao longo dos rijos e emotivos minutos da contenda.

Evidente que este ponto é mais interessantes para as pretensões sadinas, por razões fáceis de entender, de que para as do conjunto de Jesus. Mas convenhamos que foi um ponto mais que justo para o menos credenciado e favorito sobretudo pela capacidade da estratégia congeminada e pelo acerto da sua efectiva prática. Tudo bem estudado, cedo montado (as palavras de Manuel Fernandes na antevisão do jogo não foram inocentes…para encher ainda mais o saco deslumbrado do opositor), de forma simples e objectiva, e depois, para dar certo, uma efectiva correspondência prática, com atitude e sem rodeios. Por esta base montada para «fecho», denso e musculado, dos eixos centrais da intermediária e defensivo, apoiadas numa especial atenção à cobertura das faixas laterais (Bruno e Kaz em grande plano neste capítulo) se teceu uma teia que não deu espaço nem tempo para a organização habitual e poderosa do opositor que, pese o golo feliz cedo conquistado, cedo deixou vir ao de cima claras dificuldades para rasgar o espartilho envolvente. Para mais prejuízo encarnado os sadinos souberam não ficar por aí e com Hélder Barbosa na batuta livre e criativa, no espaço e modo tão a seu gosto, mostraram o outro lado da lição, com atrevimento e sem receios. E tanto assim, a evidenciar esta postura, aos 27m David Luís safou sobre o risco uma recarga de Neca para aos 37m uma «rosca» do citado central proporcionar o golo do empate, um desfecho então mais que justo e adequado ao curso do jogo. O Vitória respeitava, mas não estava ali para dar de barato, encolhido e receoso, para não perder por muitos, mas evidente que sim senhora assumia em pleno o risco de discutir o resultado, de forma inteligente, segura, e com a irreverência e a confiança na estratégia e na capacidade própria da sua aplicação. E tudo isto, ao intervalo, já era evidente: um Benfica molengão, demasiado previsível, como que “anestesiado” na teia contrária.

Enganou-se quem pensou o contrário. A tendência manteve-se, reforçou-se, ganhou ainda mais palco. Benfica sem criatividade, anestesiado; Vitória inteligente e redobrado na atitude e na discussão dos lances. E, aos 59m, veio o grande caso do jogo, no modo e no tempo: Keita marca, dando adequado aproveitamento a primorosa assistência de Barbosa. Um golo limpo, que Jorge Sousa assim não considerou. Era o 2-1, e como seria então depois? Vitória a ganhar, Benfica a perder…

Mas factos são factos: o golo foi limpo, o Vitória foi altamente prejudicado, impedindo de passar então à condição da vantagem a seu favor…

O jogo cresceu ainda mais de intensidade, na discussão plena do resultado. Benfica reclamou «penalty» sobre Di Maria, intensificou a sua acção defensiva com mais jogadores na área, mas o Vitória, discernido, de alma e entrega total, não se coibiu e atento na hora do refresco físico que se impunha (entradas de Ruben e Regula) soube manter-se firme e seguro sem dar grandes oportunidades efectivas ao reforço contrário. Contudo, aos 90+1, o fecho dramático: Jorge Sousa considerou falta de Zoro sobre Kardec. «Penalty», mas Cardozo escreveu direito por linhas tortas, levando a bola a esbarrar na trave superior. Afinal um erro que se limitou a dar o rosto justo pelo que se viu ao longo de todo tempo de um jogo de campeonato sempre intenso, competitivo, e até recheado de «anormalidades», também elas ingredientes que dão sal e pimenta às emoções. Mas sempre correcto, e para que conste.

BENFICA

Jesus é dado como o rei e mestre da táctica. Perdeu desta feita perante o experiente e raposa velha, Manel. Bem tentou mudar mas sem feitos práticos. Menos Benfica houve; mas também muito por culpa e mérito do Vitória. Sejamos francos e justos.

Di Maria, o melhor, bem secundado por Luisão. Aimar, esse, perdeu-se no bolso de Djikiné.

JORGE SOUSA

Uma noite para esquecer. Muito mal no golo invalidado a Keita; falta de Collin sobre Di Maria não assinalada; muitas dúvidas no lance final de Zoro sobre Kardec.

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