Arquivo: Edição de 10-03-2010
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SECÇÃO: Geral |
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LASA e Governo Civil prestam homenagem a pintor setubalenseA Liga dos Amigos de Setúbal e Azeitão, como prometido, voltaram a homenagear o pintor setubalense João Vaz, na data em que se completam 151 anos do seu nascimento. Também presente na cerimónia esteve o Governador Civil do Distrito de Setúbal.
Vera Gomes
A homenagem realizou-se ontem, dia em que, há 151 anos nasceu o “famoso e ilustre setubalense” João Vaz. A cerimónia decorreu durante a manhã, no largo do Carmo onde se encontra erguido o monumento ao artista. Durante o acto evocativo, com deposição de flores, o presidente da LASA, Carlos Silveira referiu a preocupação em “homenagear os setubalenses que, com o seu mérito e trabalho levaram o nome de Setúbal a todo o mundo”. Maria Barbosa du Bocage e Luísa Todi já têm as suas comemorações na cidade, “mas não chega!”, manifestou o responsável, sublinhando que “é preciso lembrar outros, que lá fora são aclamados mas, cá dentro são pouco mais que desconhecidos”. O dirigente reclamou também mais relevância para o busto do aguarelista e marinhista, “implantado há 61 anos”, que caracteriza como “fugaz”, passando “mais ou menos despercebido, num largo que nem sequer tem o seu nome”. O governador civil, Manuel Malheiros, também esteve presente na cerimónia, tendo revelado que cresceu a olhar para uma obra de João Vaz, sem saber o seu autor. A obra, pouco conhecida, é uma marinha pintada na boca de cena do Teatro Pedro Nunes, pertencente a uma sociedade filarmónica, em Alcácer do Sal. “Foi um dos maiores pintores portugueses do século XIX e XX e era um naturalista, mais virado para pintar os exteriores e é para mim uma grande alegria e satisfação estar aqui nesta homenagem”, manifestou o governador civil. A 9 de Março de 1859 nasceu “um dos mais importantes e talentosos pintores de todos os tempos”, afirmou Carlos Silveira, lembrando algumas das suas obras. Pintou o tecto da Assembleia da República; o pano de boca do já extinto Teatro Dª Amélia, actual Fórum Luísa Todi; o hall e os tectos do Teatro Garcia de Resende em Évora; os frescos da sala de jantar do Hotel do Bussaco, ilustrando passagens dos Lusíadas; algumas salas do Palácio de Belém; o tecto da Igreja da Graça, em Lisboa. Além dos quadros que estiveram, recentemente em exposição na Casa da Baía, por onde passaram cerca de duas mil pessoas para contemplar as obras do pintor. O artista plástico, que faleceu há 79 anos, notabilizou-se pela reprodução de paisagens, nomeadamente das salinas e da baía sadina. Naturalista por excelência, abraçou algumas influências impressionistas e dedicou-se, ainda, à decoração de interiores, à pintura de panos de boca de teatros, ao desenho de peças de mobiliário. Foi também professor de Desenho na Escola Industrial Afonso Domingues (Lisboa), onde foi director e instalou, em 1914, o curso comercial na Escola de Desenho Industrial de Setúbal. |
