Arquivo: Edição de 30-04-2012
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SECÇÃO: Cidade |
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O mar não é alternativa à falta de emprego em terraA crise de trabalho em terra tem motivado alguma procura nas actividades piscatórias. Mas não é fácil entrar naquele específico sector, particularmente devido ao seu “limite da subsistência”. Os dirigentes das duas associações de pesca que concentram a maior parte dos profissionais apontam o preço dos combustíveis como a razão maior pela crise de rendimentos. A associação, ‘Setúbal Pesca’ será a que representa a maior parte dos profissionais do sector – cerca de centena e meia de embarcações – abrangendo, para além da cidade propriamente dita, também as localidades de Gâmbia, Faralhão e, do outro lado do rio Sado, a Carrasqueira. Cada embarcação de pesca artesanal contempla entre um e quatro homens a bordo, sendo que na esmagadora maioria dos casos são dois homens por embarcação. “Sobretudo no último ano, algumas pessoas que não têm qualquer ligação a esta actividade, procuram-nos no sentido de encontrarem uma futura ligação ao mar como alternativa a falta de trabalho em terra” começou por dizer a “O Setubalense” o dirigente do ‘Setúbal Pesca’. Carlos Pratas diz registar e dirigir esta procura aos curso da Formar - entidade formadora e que substitui a antiga Forpesca – os quais ocorrem nas instalações da Associação Cristã da Mocidade (ACM), quer nas instalações localizadas na Bela Vista, quer nas do Montalvão. Estes cursos são quase diários, em período pós-laboral e com duração média de três meses. O que se torna claro para este dirigente do sector é que, para as pessoas de terra, que nunca viram o mar, mas que procuraram nesta actividade uma alternativa de trabalho “é muito difícil lá entrar”, justificando isso com a realidade do sector pesqueiro. “A pesca artesanal confronta-se com um grave problema de subsistência. As despesas, nomeadamente com os combustíveis (realidade mais agravada se se trata de motor fora de bordo, a gasolina) são enormes, e as receitas são sempre incertas”, elucida Carlos Pratas. Para este dirigente do sector pesqueiro, os cursos ministrados pelo Formar, “têm realmente alguma expressão e tornam-se mais interessantes para quem já anda nesta vida do mar e precisa de determinada qualificação para obter a cédula marítima e progressão na carreira piscatória.” SESIBAL: Também outra associação do sector pesqueiro setubalense – Sesibal, cooperativa de pesca de cerco de Setúbal, Sesimbra e Sines – afina essencialmente pelo mesmo diapasão. O dirigente Ricardo Santos testemunha que, nos últimos tempos, “algumas pessoas, sem experiência neste ramo de actividade, procuram um ocupação de trabalho, ainda que com carácter imediato e provisório, mas a verdade é que, numa primeira abordagem com a realidade deste sector pesqueiro, muitas delas não encontram aliciantes e acabam por não enveredar pelo curso.” Diga-se que a pesca de cerco é realizada por traineiras, embarcações que contemplam, em média, contemplam entre 12 e 15 homens, incluindo camaradas a bordo, e outros em terra, a tratar das artes pesqueiras. O dirigente da Sesibal reconhece que os cursos profissionais dirigido ao sector das pescas “deveriam ter mais em atenção a realidade daqueles que já fazem da vida do mar o seu ganha-pão”, alvitrando que as acções de formação “deviam ter a parte prática à semana e, aos fins-de-semana, a parte teórica”, ou seja, dirigirem-se mais de encontro aos interessados nestes cursos profissionais. Também nesta arte da pesca do cerco – captura de espécies como a sardinha, carapau e cavala – Ricardo Santos refere o custo dos combustíveis (gasóleo) como um grande entrave à actividade piscatória. “Parece irreal, mas não é: o preço da sardinha, a vender pelo pescador em lota, é o mesmo de há 20 anos, enquanto o preço do gasóleo, tem aumentado exponencialmente,” refere o dirigente da Sesibal, para quem a sustentabilidade deste específico sector pesqueiro “atingiu o seu nível limite”. O que Ricardo Santos defende continua a exaltar é a “extrema qualidade” do nosso pescado, reconhecendo como “inteiramente legítima” a distinção da sardinha setubalense como uma 7.ª Maravilha da Gastronomia. “A costa marítima entre Setúbal e Sines tem a melhor biodiversidade e plâncton, que se reflecte na qualidade do peixe, não só da sardinha ou do carapau, como das demais espécies piscícolas,” enaltece o dirigente. Teodoro João
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